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Leituras Improváveis

um registo digital

Leituras Improváveis

um registo digital

29.02.24

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Nasci numa família que caíra em tempos difíceis. Mas tive uma infância bastante feliz. Desde que estejamos em harmonia com as pessoas à nossa volta - presumindo, claro, justo equilíbrio - a pobreza nunca é tão terrível ou insuportável como se possa pensar. Oferece certas vantagens. O previlégio que mais estimei na infância foi o da liberdade.

Hoje empregamos esta palavra apenas no seu sentido político, e é pena. Porque receio que quem vê a liberdade unicamente como um conceito político nunca compreenderá todo o seu significado. A demanda da liberdade política pode conduzir à sua erradicação em larga escala - ou então abrir a porta a inúmeras supressões. Dir-se-ia que a liberdade é o bem mais cobiçado do mundo; pois quando alguém se decide empanturrar-se de liberdade, as pessoas à sua volta vêm-se privadas dela.

excerto de O instituto para o acerto dos relógios, de Ahmet Hamdi Tanpinar

28.02.24

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“You don't have to burn books to destroy a culture. Just get people to stop reading them.”

Ray Bradbury

 

28.02.24

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A propaganda é filha da democracia. A experiência totalitária duma propaganda empurrada ao seu paroxismo, ao conferir a esta palavra uma conotação pejorativa,  há muito tempo mascarou esta realidade: é dentro da democracia ateniense e na républica romana que surgiu a primeira forma de propaganda - na qualidade de "esforço organizado para propagar uma crença ou uma doutrina particular" - , é a Revolução Francesa que demarcou a propaganda política moderna, e são as democracias em guerra entre 1914 e 1918 que inventam a propaganda de massas, retomada de seguida pelos regimes autoritários e totalitários. A propaganda não é portanto própria dos regimes autoritários, e ainda menos o reverso da democracia. Não somente ela nasceu no seio dos regimes democráticos, como era percebida de forma positiva. A palavra "propaganda" não tem conotação pejorativa nas democracias liberais, antes dos anos 1970, uma vez que desapareceu progressivamente dos organigramas politícos e sindicais em favor de termos mais neutros, a começar por "comunicação". O fim da Guerra Fria e aparente vitória das democracias liberais assinalaram, ao mesmo tempo que o fim das ideologias, a relegação dentro da opinião pública da noção de propaganda como propriedade específica de regimes autoritários. Com o fim da URSS, teríamos deste modo largado a era da propaganda para entrar na da comunicação, no momento em que se perfilavam as "auto-estrada da informação" na Web, que traziam a promessa de acesso individual a informação fiável, ao exercício do seu livre arbítrio, e a uma total liberdade de opinião, ao abrigo de todas as formas de manipulação. Esta ideia segundo a qual a propaganda seria própria de regimes autoritários é hoje em dia ainda dominante para caracterizar o renascimento da propaganda no mundo contemporâneo, depois do Brexit e da eleição de Donald Trump. O desenvolvimento da propaganda russa, por exemplo, é lido como um sinal de resvalamento autoritário do regime e não como uma das manifestações da revolução tecnológica, que permite hoje e a menor custo conduzir operações de desestabilização a grande escala. Este livro pretende demonstrar não apenas que a propaganda e a manipulação de massas não são exclusivas dos regimes autoritários mas que o seu progresso segue o das ciências e da tecnologia. A história da propaganda é aquela duma ciência aplicada que se nutre à vez dos progressos do sistema tecnológico, que dota os propagandistas de ferramentas de comunicação de massas, e dos das ciências humanas e cognitivas, que oferecem as chaves da persuasão de cada indivíduo. Por isso, aquilo a que assistimos hoje em dia, na era digital, não é apenas um simples retorno da propaganda, mas a ascensão de um novo tipo de propaganda, ao mesmo tempo massiva, individualizada e de uma eficácia temível.

excerto de Propagande, la manipulation de masse dans le monde contemporain, de David Colon

26.02.24

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Essa resposta é uma forma de "luz fascista". Rosenberg argumenta que o apelo do populismo de direita à devoção a uma nação e a um "grande líder" fornece a uma grande massa do povo aquilo que a democracia não pode fornecer: um alívio do fardo de pensarem por si mesmos em troca da liberdade absoluta ao líder. Esta atitude é evidentemente incompatível com a democracia liberal. Mas, argumenta Rosenberg, irá triunfar. É muito mais bem-sucedida do que o populismo de esquerda, porque se alimenta do medo e da raiva, enquanto a esquerda promete esperança, por mais irrealista e venenosa que ela acabe por ser. A esperança requer confiança. O medo não: ele requer apenas um inimigo.

excerto de A Crise do Capitalismo Democrático, de Martin Wolf (Gradiva)

 

24.02.24

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"- Let me present you to my very good friend. He´s doing a comedy right now about peace in the Middle East.

-That's ... funny already."

 

 

23.02.24

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"Hoje, há a substituição da educação, do tempo pessoal e de reflexão, pela diversão e entretenimento. Há o confronto constante com a ação, por vezes violenta, como substituta da reflexão e da calma. Temos uma imagem permanente de violência e de ação, com a exibição de conflitos e incompatibilidades, em vez de propostas de soluções. Atualmente, há a exaustão frente ao conflito e a vulgarização do mesmo. É muito difícil as pessoas terem tempo para pensar soluções alternativas quando tudo aquilo que lhes é oferecido é violência e confronto."

 

.....

 

"Estaremos a sobrestimar a Inteligência Artificial?

O problema da Inteligência Artificial (IA) reveste-se de aspetos curiosos porque, de facto, neste momento há uma IA que vem da nossa inteligência natural. A IA é inventada por seres humanos, mas neste momento está a assumir características muito particulares que se prendem em especial com o extraordinário êxito de certos modelos, os denominados large language models, que surgiram recentemente e que têm vindo a desenvolver-se ao longo dos últimos anos. Transformaram-se em coisas muito populares, através de sistemas como o ChatGPT, e que permitem, de uma forma muito poderosa, inventar histórias, responder a perguntas variadas e gerar imagens. Funcionam tanto verbalmente como do ponto de vista imagético e visual. Em si mesmo, carregam um problema, o de dar a impressão de que os sistemas artificiais são capazes de fazer todas estas coisas de uma forma única, nunca utilizada por seres humanos. Isso é falso.

Porquê?

O que acontece é que estes sistemas são, no fundo, baseados em sistemas humanos porque a informação e a descoberta da forma como se podem fazer estas operações que parecem abstratas é, no fundo, resolvida através de uma massiva análise de produtos humanos. Para construir estas respostas, a máquina recorre a milhares de milhões de textos inseridos na internet que são analisados de uma forma exaustiva e que a determinado ponto constroem frases simpaticamente compostas e que fazem sentido. A ideia de que aquilo que ali está é puramente artificial é falsa. É sim artificial na descoberta dos sistemas, mas a informação fundamental veio de seres humanos."

in DN

22.02.24

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