27.06.25
Em The Thirsty Muse: Alcohol and the American Writer, de Tom Dardis, o autor diz: "Ao longo dos anos, muitos dos nossos melhores artistas aceitaram a relação [entre a arte e o álcool]. De facto, vários declararam que não tinham outra opção que não beber, e muito, se quisessem trabalhar ao máximo a sua arte". Isto é o mais chocante: que estando conscientes do destroço que a bebida causava nas suas vidas, muitos deles não se deram conta de que à medida que o vício aumentava, as obras se tornavam cada vez piores, chegando por vezes a emudecerem completamente. Percebo o que os levava ao álcool, disse-o no ínicio: aumenta a emocionalidade, potencia a desinibição, amordaça o Eu controlador. Nem Hemingway nem Fitzgerald conseguiam escrever sem estarem bêbados. Mas a bebida é uma musa maligna e traiçoeira, uma assassina que, antes de nos matar, nos embrutece, nos humilha e nos arrebata a palavra. Como dizia com escarmentada experiência Charles Bukoswski, "beber ajuda a criar, embore não o recomende".
excerto de O perigo de estar no meu perfeito juízo, de Rosa Montero (Porto Editora)








