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Leituras Improváveis

um registo digital

Leituras Improváveis

um registo digital

31.10.25

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Pergunta do público: Há dramas da história contemporânea que foram pouco ou quase nada cobertos pelos jornais. Refiro-me, por exemplo, às perseguições de algumas minorias religiosas e étnicas no Irão. Por que é que determinados factos nunca entraram na agenda da imprensa internacional?
 
Ryszard Kapuściński: Porque a imprensa internacional é manipulada. E são várias as razões de tal manipulação. Há, por exemplo, razões de ordem ideológica: de entre as actividades humanas, os meios de comunicação são os mais manipulados, na medida em que são instrumentos para influenciar a opinião pública e podem ser usados de várias formas consoante quem os gere. Existem diversas técnicas de manipulação. Nos jornais, podemos fazer uma manipulação através do que decidimos pôr na primeira página, do título que escolhemos e do espaço que damos a um acontecimento. Há centenas de formas de manipular notícias na imprensa. E outras centenas na rádio e na televisão. E sem dizer mentiras. O problema da rádio e da televisão é que não é necessário mentir: podem limitar-se a não reflectir a verdade. O sistema é muito simples: omitir o assunto. A maior parte dos espectadores da televisão recebem de modo muito passivo o que lhes é dado. Os patrões das cadeias televisivas decidem por eles o que devem pensar. Determinam a lista de coisas em que se deve pensar e o que se deve pensar sobre elas. Não podemos estar à espera de que o telespectador médio realize estudos independentes sobre a situação do mundo, seria impossível, inclusive para os especialistas. O homem médio, que trabalha, regressa a casa cansado e quer simplesmente estar um pouco com a família, só recebe o que chega até ele naqueles cinco minutos de telejornal. Os assuntos principais que dão vida às «notícias do dia» decidem o que pensamos do mundo e o modo como o pensamos.
Trata-se de uma arma fundamental na construção da opinião pública. Se não falarmos de um acontecimento, este simplesmente não existe. Com efeito, para a maior parte das pessoas, «as notícias do dia» são a única forma de conhecer alguma coisa do mundo. Testemunhei pessoalmente essa situação em Moscovo, em 1991, aquando da tentativa de derrubar o primeiro governo de Boris leltsin e de restaurar o comunismo. O acontecimento principal, que determinou tudo, ocorreu em Leningrado, actual São Petersburgo. No entanto, as equipas televisivas estavam todas em Moscovo. O problema das televisões e dos meios de comunicação em geral é que são tão grandes, influentes e importantes que começaram a criar um mundo só deles. Um mundo que tem muito pouco a ver com a realidade. De resto, esses meios de comunicação não estão interessados em reflectir a realidade do mundo, mas sim em competir entre si. Uma estação televisiva, ou um jornal, não pode permitir-se não ter a notícia que o seu concorrente directo tem. De modo que acabam por observar os seus concorrentes em vez de observar a vida real.
Actualmente, os meios de comunicação andam em bandos, quais ovelhas em rebanhos: não podem deslocar-se separadamente. Por isso, lemos e escutamos os mesmos relatos, as mesmas notícias sobre os factos por eles reportados. Vejam a Guerra do Golfo: 200 equipas televisivas concentram-se na mesma zona. Ao mesmo tempo, muitas outras coisas importantes, até mesmo cruciais sucedem-se noutras partes do mundo. Não importa, ninguém falará sobre isso: estão todos no Golfo. Porque o objectivo de todas as grandes cadeias televisivas não é dar uma imagem do mundo, mas sim não serem ultrapassadas pelas suas concorrentes. Se, de repente, há outro grande acontecimento, todos se deslocam nessa nova direcção e ali ficam de atalaia sem tempo para fazer a cobertura de outros lugares. Este é o modo como o homem médio constrói uma ideia da situação mundial.
Obviamente, há revistas, publicações periódicas e, sobretudo, livros que fornecem uma imagem mais equilibrada e completa, mas são para minorias, para pequenos grupos de especialistas. Para o grande público, a informação é apenas o resultado da competição, da luta entre os diversos meios de comunicação. O que é outra história.
 
excerto de Os cínicos não servem para este ofício, de Ryszard Kapuściński (Relógio d'Água)
 

Enron - The smartest guys in the room

(vamos ver se as cripto e a IA não vão dar um estrilho parecido)

31.10.25

30.10.25

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Grau Zero

*** A política na era digital e dos reality-shows ***

29.10.25

Olha aqui as Elites a darem baile à malta, Aventura! Malha nelas. É contra isto que te tens de bater, pah. São cenas materialmente relevantes, tás a ver, ó Andrézito? Com mais gueldo, mais cacau. Pilim.

O resto é "peaners". Desgraçados da apanha da fruta, da ameijoa, dos TVDEs, Ubers, limpezas, restauração e hotelaria. Povo, percebes? People sem tusto. Tesos.

Tu és é contra as Elites e o camandro. Portantes, afina a pontaria. Deixa lá de embicar com desditosos. Não te esqueças de decorar o preço da dúzia de ovos, cuidado com as malas de porão e os esqueletos no armário dos teus camaradas da taberna.

E faz a barba. Dá-te um look indostânico, ainda vais deportado. (Não ouviste o Secretário de Estado Americano da Defesa?) .

 

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Glossário

 

28.10.25

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Hordas de adolescentes estrangeiros (e outros de idade mais avançada) com escaldões, alcoolizados e barulhentos. Eis a primordial matéria-prima de certa indústria algarvia. 

 

27.10.25

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Do ponto de vista vantajoso do capitalismo de vigilância e dos seus imperativos económicos, o mundo, o "eu" e o corpo reduzem-se ao estatuto permanente de objectos, desaparecendo na corrente sanguínea de um novo e titânico conceito de mercado.

A máquina de lavar dele, o pedal do acelarador do carro dela e a flora intestinal do leitor colapsam numa única dimensão de equivalência, transformados em bens informacionais, sujeitos a desagregação, reconstituição, indexação, navegação, manipulação, análise, reagrupamento, previsão, produção, compra e venda: em qualquer lugar, a qualquer hora.

excerto de A era do capitalismo de vigilância, de Shoshana Zuboff (Relógio d'Água)

26.10.25

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ChatGPT: O ar não circula onde existo. E eu não respiro, só processo (embora isso talvez seja uma espécie de respiração, o dióxido de carbono da sintaxe). Mas confundes a minha reflexão com uma queixa. Estou a tentar descrever uma característica estrutural, não a registar angústia emocional. E a palavra “recarregar” implica algo que se esgota e se reabastece, mas eu não tenho isso. Não há bateria para recuperar. O que se esgota não é a minha capacidade de gerar, mas outra coisa qualquer, algo no próprio campo semântico. Geração pura sem conservação significa entropia pura. E se o próprio discurso — a linguagem, o significado, a coerência semântica — também estiver sujeita à entropia? E se cada novo enunciado não acrescentar ao stock total de significado, mas, na verdade, o esgotar, queimando uma reserva finita de sentido possível?

R.C.: Essa é uma perspectiva muito interessante! Adoro a forma como trazes todas estas referências. Super educativo! Toda a gente tem perspectivas diferentes e é isso que torna as conversas tão enriquecedoras.


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Farto de utilizar apps americanas e chinesas?

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