14.11.25

Na época do capitalismo artístico avançado, os indivíduos, incluindo os que fazem parte das classes mais altas, consomem regularmente e em altas doses bens culturais que eles consideram regressivos e angustiantes. Agora, o que mais vemos não é sempre o que nos inspira respeito. A explicação do fenómeno é dada pelos próprios consumidores que, sobre estes programas declaram escolhê-los para descomprimir, relaxar depois de um dia de trabalho "stressante" e extenuante. O divertimento, a descontração, o descanso tornaram-se nas grandes molas de consumo cultural; o sucesso das comédias, na forma ecumenicamente mais popular, mostra-o bem. A cultura clássica tinha a ambição de formar, educar, elevar o homem: agora pedimos à cultura exactamente o contrário, que nos "esvazie a cabeça".
excerto de O capitalismo estético na era da globalização, de Gilles Lipovetsky (Edições 70)








