Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Leituras Improváveis

um registo digital

Leituras Improváveis

um registo digital

27.10.25

zuboffasdf.jpg

Do ponto de vista vantajoso do capitalismo de vigilância e dos seus imperativos económicos, o mundo, o "eu" e o corpo reduzem-se ao estatuto permanente de objectos, desaparecendo na corrente sanguínea de um novo e titânico conceito de mercado.

A máquina de lavar dele, o pedal do acelarador do carro dela e a flora intestinal do leitor colapsam numa única dimensão de equivalência, transformados em bens informacionais, sujeitos a desagregação, reconstituição, indexação, navegação, manipulação, análise, reagrupamento, previsão, produção, compra e venda: em qualquer lugar, a qualquer hora.

excerto de A era do capitalismo de vigilância, de Shoshana Zuboff (Relógio d'Água)

16.10.25

asdfddeeeeeeeefef.jpg

 

Cats are smart, but not a great choice if you want an animal that takes to training reliably. Watch a cat circus online, and what's so touching is that the cats are clearly making their own minds up about whether to do a trick they've learned, or to do nothing, or to wander into the audience.

Cats have done the seemingly impossible: They've integrated themselves into the modern high-tech world without giving themselves up. They are still in charge. There is no worry that some stealthy meme crafted by algorithms and paid for by a creepy, hidden oligarch has taken over your cat. No one has taken over your cat; not you, not anyone.

Oh, how we long to have that certainty not just about our cats, but about ourselves! Cats on the internet are our hopes and dreams for the future of people on the internet.

Meanwhile, even though we love dogs, we don't want to be dogs, at least in terms of power relationships with people, and we're afraid Facebook and the like are turning us into dogs. When we are triggered to do something crappy online, we might call it a response to a "dog whistle." Dog whistles can only be heard by dogs. We worry that we're falling under stealthy control.

This book is about how to be a cat. How can you remain autonomous in a world where you are under constant surveillance and are constantly prodded by algorithms run by some of the richest corporations in history, which have no way of making money except by being paid to manipulate your behavior? How can you be a cat, despite that?

The title doesn't lie; this book presents ten arguments for deleting all your social media accounts. I hope it helps, but even if you agree with all ten of my arguments, you might still decide to keep some of your accounts. That's part of your prerogative, being a cat.

 

excerpt from Ten arguments for deleting your social media accounts right now, by Jaron Lanier

08.09.25

juanvilloro.jpg

O excesso de informação dificulta o raciocínio e o excesso de reflexão, a sabedoria. É preciso escolher. Nenhuma posse supera a renúncia eficaz. Bem entendida, a cultura é um instrumento para ignorar com conhecimento de causa.

excerto de □ Não sou um robô, de Juan Villoro (Zigurate)

 

 

21.07.25

aklsjdfhkasjhdfkhasdkfjh.jpeg

Generally, polling ignores what people know about the subjects they are queried on. In a culture that is not obsessed with measuring and ranking  hings, this omission would probably be regarded as bizarre. But let us imagine what we would think of opinion polls if the questions came in pairs, indicating what people "believe" and what they "know" about the subject. If I may make up some figures, let us suppose we read the following: "The latest poll indicates that 72 percent of the American public believes we should withdraw economic aid from Nicaragua. Of those who expressed this opinion, 28 percent thought Nicaragua was in central Asia, 18 percent thought it was an island near New Zealand, and 27.4 percent believed that Africans should help themselves,’ obviously confusing Nicaragua with Nigeria. Moreover, of those polled, 61.8 percent did not know that we give economic aid to Nicaragua, and 23 percent did not know what ‘economic aid' means.” Were pollsters inclined to provide such information, the prestige and power of polling would be considerably reduced. Perhaps even congressmen, confronted by massive ignorance, would invest their own understandings with greater trust.

The fourth problem with pollingis that it shifts the locus of responsibility between political leaders and their constituents. It is true enough that congressmen are supposed to represent the interests of their constituents. But it is also true that congressmen are expected to use their own judgment about what is in the public's best interests. For this, they must consult their own experience and knowledge. Before the ascendance of polling, political leaders, though never indifferent to the opinions of their constituents, were largely judged on their capacity to make decisions based on such wisdom as they possessed; that is, political leaders were responsible for the decisions they made. With the refinement and extension of the polling process, they are under increasing pressure to forgo deciding anything for themselves and to defer to the opinions of the voters, no matter how ill-informed and shortsighted those opinions might be.

 

excerpt of Technopoly - The Surrender of Culture to Technology, by Neil Postman

19.02.25

sadfxzcvxcvznhsfghr345.jpeg

fonte: INEM

 

08.02.25

Caro Génio da Lâmpada Mágica,

Obrigado pelos três desejos concedidos, recompensa pela libertação inopinada da forçada clausura num poeirento baú.

Primeiro, quero uma rede social europeia pública, com código aberto, algoritmos transparentes e não viciantes (contraditório sugerido - se gostou deste video "quadrado amarelo", veja agora este "triângulo verde", com uma opinião diametralmente oposta), conteúdos verificados e todos os utilizadores identificados legalmente. Pode utilizar algum dinheiro do PRR na construção da dita, justificada pelo nosso Interesse Geoestratégico, a nossa Saúde Pública e Sanidade Mental, a defesa da nossa Democracia Liberal,  da Comunicação Social, da Lógica e da Verdade. Se não for pedir muito, coloque nela uma mira técnica entre a meia-noite e as sete da manhã. 

Segundo, a criação e difusão de um vírus com as seguintes características: omnisciente, penalizaria o seu hospedeiro humano com o aroma de carne podre típico da flor-cadáver (Amorphophallus titanum) e hemorróidas de tamanho mínimo duma couve-flor de dois quilos, ao serem detectados nele actos de corrupção (activa ou passiva).

Terceiro, a imersão total do consumidor na cadeia de produção, por uma semana. Alguns exemplos práticos de seguida. A adolescente fanática pelas cadeias de pronto-a-vestir seria brindada com uma estadia grátis no Bangladesh ou na Índia, trabalhando e vivendo nas condições espectaculares do típico trabalhador têxtil. O geek do telemóvel novo a cada seis meses poderia passar uma seminal temporada numa mina algures no Congo profundo, acompanhado calorosamente por alguma milícia militar. Use a sua imaginação para os fazer desfrutar dos adágios "Pimenta no cu dos outros, para mim é suminho de laranja" e "Longe da vista, longe do coração".

Grato pela atenção dispensada

Saúde e um Grande Bem-Haja

 

05.11.24

redfishaq.jpeg

Colapso?

O capitalismo da atenção, por mais intrusivo e desesperante que seja, não é estável. A máquina ganhou embalo e começa a produzir sinais do seu próprio colapso. A fábrica de realidades individuais gerou um império da falsidade.
Humanos falsos, estatísticas falsas, contas falsas, sites falsos, conteúdos falsos conjugam-se para obter dólares (ou euros) verdadeiros. Certamente, há os robôs, fórmulas que geram automaticamente conexões nas redes sociais ou que criam acessos falsos a sites-fantasmas, a fim de fazer os publicitários acreditarem na visualização dos seus anúncios. A actividade destes robôs ganhou proporções consideráveis. A maior parte dos estudos estima que a actividade humana constitui menos de 60 por cento da actividade total na Internet. O resto, ou seja, mais de 40 por cento, é uma atenção fictícia, produzida por robôs ou por humanos que têm essa tarefa. Porque a economia da atenção tem o seu Lumpenproletariat. As «fábricas de cliques» multiplicam-se por todo o mundo, nomeadamente na China. Nelas costumam trabalhar jovens, cada um «responsável» por várias dezenas de telemóveis. A sua função: conectar cada telefone ao mesmo vídeo, com o intuito de aumentar o número de visualizações.
A falsidade assim criada fragiliza a economia da atenção, ao mesmo tempo que se constitui como uma consequência dela. Só se pode vender duravelmente aquilo que existe. A actividade artificial ameaça, a prazo, todo o modelo. A incapacidade do Facebook de produzir números de audiência fiáveis não tem que ver com desonestidade, mas sim com submersão: em 2018, a plataforma reconheceu que a sua avaliação do tempo de visualização dos videos podia, nalguns casos, estar "sobreavaliada em 60 a 80 por cento". O YouTube - que pertence à Google - criou, por seu turno, ferramentas tecnológicas que se destinam a detectar a falsa audiência nascida dos robôs que se fazem passar por humanos. Robôs contra robôs.
Os especialistas da Internet chamaram a isto inversão. O momento em que a tecnologia, superada pela audiência e pelos conteúdos elaborados por robôs, acaba por considerar falsa aquela que é oriunda dos seres humanos, por se ter tornado minoritária e, portanto, «desviante» relativamente ao comportamento maioritário, que é o das máquinas. Para o jornalista Max Read, um dos melhores analistas da Internet (o seu blogue, Life in Pixels, é incontornável), esse momento chegou. Esteja ou não correcta, tal constatação mostra uma saída possível: este modelo de predação humana já não é economicamente sustentável.

 

excerto de A Civilização do Peixe-Vermelho, de Bruno Patino (Gradiva)

 

Farto de utilizar apps americanas e chinesas?

Arquivo

Catálogo Biblioled

PressReader

Como usar

Catálogo BLX

Catálogo Geral das Bibliotecas Municipais do Porto

Catálogo de Bibliotecas do Município de Oeiras

No Thrones. No Crowns. No Kings.

Join the Resistance: Subscribe to The Borowitz Report Today.